A disputa judicial em torno da pavimentação da BR-319 no Amazonas tem ganhado novo impulso. O Observatório do Clima se prepara para contestar a legalidade das licitações referentes ao “trecho do meio” da rodovia, o que poderá impactar de forma significativa o financiamento e a execução das obras.
A proposta de pavimentação abrange aproximadamente 400 quilômetros entre o Igarapé Atií e o distrito de Realidade, no município de Humaitá. A organização, que reúne mais de 130 entidades ambientalistas, questiona a ausência de licença de instalação para o asfaltamento de cerca de 339 quilômetros da rodovia, o que configura uma importante falha legal, já que essa licença é imprescindível para o início de qualquer obra desse porte.
Questões Legais e Ambientais
O projeto já enfrenta disputas judiciais desde 2024 e, segundo o Observatório do Clima, o Ibama não emitiu a licença de instalação necessária. A falta de documentação adequada torna o edital, lançado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), vulnerável em termos jurídicos. Além disso, a ausência de consulta às comunidades indígenas que habitam a região contraria a Convenção 169 da OIT, da qual o Brasil é signatário, infringindo direitos das populações locais.
Impactos e Projeções Futuras
Com um custo estimado de R$ 700 milhões para a obra, ambientalistas e especialistas alertam que os danos causados pela pavimentação podem superar esse número, resultando em consequências severas para o meio ambiente. Estudos indicam que o desmatamento na área pode quadruplicar se as obras forem concluídas sem as devidas medidas de proteção, gerando emissões de até 8 bilhões de toneladas de gás carbônico até 2050.
Pavimentação e Preservação
A nova iniciativa judicial do Observatório do Clima enfatiza a tensão entre o desenvolvimento de infraestrutura e a preservação ambiental na Amazônia. A situação evidencia a necessidade urgente de repensar projetos que podem comprometer a integridade da floresta amazônica e o cumprimento das metas climáticas do Brasil acordadas em tratados internacionais. Assim, o debate sobre o futuro da região continua a ser crucial e pertinente, colocando em jogo não apenas questões legais, mas também a saúde do nosso planeta.



