Manaus – O cenário cultural e boêmio do Centro Histórico de Manaus sofreu um duro golpe. O lendário Bar do Armando, em funcionamento desde a década de 1970 no Largo de São Sebastião, está sob forte ameaça de encerrar suas atividades em seu endereço histórico devido a uma ação de despejo.
Para esclarecer a gravidade da situação, a administração do estabelecimento convocou a imprensa para uma entrevista coletiva nesta segunda-feira (13), às 14h, no próprio bar, onde detalhará a disputa judicial que coloca em risco um dos maiores patrimônios vivos da cidade.
A Disputa pelo Imóvel e a Resistência
O espaço que abriga o tradicional ponto de encontro é alugado. Segundo informações preliminares, o proprietário do imóvel acionou a Justiça requisitando a devolução do ponto comercial para a instalação de um empreendimento próprio.
A atual proprietária e filha do fundador, Ana Claudia Soeiro Soares, está à frente da resistência. A notícia da possível desocupação já gerou uma intensa onda de solidariedade, com diversos artistas, jornalistas e intelectuais locais se mobilizando para apoiar a permanência do bar no local que ele ajudou a consagrar.
O Legado de Armando Soares e a Cultura Baré
A possível perda do espaço físico do Bar do Armando atinge diretamente a memória afetiva de Manaus. A história do local confunde-se com a trajetória de seu criador, o português Armando Dias Soares. Chegado a Manaus em 1953, Armando fundou o bar nos anos 70, transformando-o no principal reduto de turistas e boêmios de todas as idades, famoso por suas delícias gastronômicas e pelo animado happy hour ao lado do imponente Teatro Amazonas.
Além do bar, o português deixou sua marca no carnaval manauara como um dos fundadores da irreverente Banda da Bica.
Armando faleceu em 10 de abril de 2012, aos 77 anos, vítima de falência múltipla de órgãos. À época de sua despedida, o artista plástico Rui Machado resumiu o sentimento da cidade — um sentimento que agora, com a ameaça de despejo, volta a ecoar entre os frequentadores:
“O Largo de São Sebastião nunca mais será o mesmo. Perdemos um grande mestre da cultura baré. É uma tristeza para toda a cidade. O Armando é insubstituível, mas tenho certeza que sua família vai continuar o legado deste gênio.”
A certeza de Machado sobre a continuidade da obra cumpriu-se com a dedicação de Ana Claudia, que manteve as portas abertas e viu o espaço ser merecidamente reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Amazonas em 2015.
O Futuro em Pauta na Coletiva
Durante o encontro com a imprensa nesta segunda-feira, a administração promete apresentar:
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Os desdobramentos legais: Detalhes cruciais da ação de despejo e o andamento do processo.
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A estratégia de defesa: O posicionamento oficial da família e as frentes de mobilização criadas pelos artistas e defensores da cultura local.
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O alerta patrimonial: Os impactos que uma eventual desocupação causará ao Centro Histórico e à preservação da identidade cultural manauara.
A ameaça ao Bar do Armando reacende um debate urgente sobre como proteger os espaços que guardam a história da cidade diante da pressão imobiliária.



