Comer Tucunaré cru pode causar meningite, dizem cientistas; veja estudo

Amazonas – Um estudo recentemente publicado por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e outras instituições revela um caso alarmante: o primeiro registro brasileiro de meningite eosinofílica causada pelo parasita Gnathostoma. Este evento singular está diretamente ligado ao consumo de peixe cru, mais especificamente, tucunaré, em formato de sashimi.

O parasita Gnathostoma é conhecido por atacar o sistema nervoso central humano, e a ingestão de suas larvas é a segunda causa mais comum de meningite eosinofílica no mundo. Carlos Graeff-Teixeira, um dos autores do estudo, ressalta a importância desse registro inédito: “É a primeira vez que se encontra um caso de meningite eosinofílica provocada por Gnathostoma. Esse parasita até agora tinha provocado apenas lesões cutâneas.”

O caso ocorreu em agosto de 2017, quando um jovem participou de uma expedição de pesca na região do rio Juruena, na divisa entre os estados do Amazonas e do Mato Grosso. Após consumir tucunaré cru, em formato de sashimi, o jovem começou a manifestar sintomas como fadiga, palpitações, falta de ar e fortes dores de cabeça. Exames subsequentes revelaram altos níveis de eosinófilos no sangue, indicando uma resposta do sistema imunológico a infecções parasitárias ou alérgicas.

Embora não tenha apresentado sintomas de disenteria, a suspeita de infecção surgiu devido ao histórico de viagem e relatos de outros turistas que também estiveram na mesma região. Um deles apresentou lesões cutâneas que poderiam ser atribuídas ao mesmo parasita. Análises realizadas na Tailândia confirmaram a presença de anticorpos anti-gnathostoma, evidenciando o contato do paciente com o parasita.

Veja estudo: