Mundo – A madrugada desta sexta-feira (27) marcou uma escalada dramática nas relações entre o Paquistão e o Afeganistão. O Exército paquistanês realizou ataques aéreos contra cidades afegãs, incluindo a capital Cabul e a cidade de Kandahar, em uma ação inédita que o governo de Islamabad descreveu como “guerra aberta” contra o Talibã, grupo que controla o Afeganistão desde 2021.
De acordo com fontes de segurança paquistanesas, os bombardeios envolveram mísseis ar-terra lançados contra escritórios e postos militares do Talibã em Cabul, Kandahar e na província de Paktia. Além disso, confrontos terrestres foram registrados ao longo da fronteira de 2.600 km, com disparos de artilharia e combates diretos entre soldados dos dois países.
“O nosso limite de paciência acabou. Agora é guerra aberta entre nós e vocês”, declarou o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Muhammad Asif, reforçando a gravidade da escalada.
Retaliação do Talibã
Em resposta, o Talibã afirmou ter realizado ataques com drones contra instalações militares do Paquistão, atingindo a capital Islamabad e cidades como Nowshera, Jamrud e Abbottabad. O governo afegão, embora tenha retaliado, adotou um tom mais contido, sinalizando disposição para diálogo, ao contrário da postura agressiva do Paquistão, que prometeu “esmagar” o Talibã.
Motivo do Conflito
A crise atual é resultado de meses de tensões na fronteira e acusações de que o Afeganistão abriga militantes responsáveis por ataques dentro do território paquistanês. O Talibã nega as acusações, afirmando que a segurança do Paquistão é um problema interno. O conflito põe fim ao frágil cessar-fogo firmado em outubro de 2025 e representa uma ruptura histórica entre antigos aliados islâmicos.
Um Novo Capítulo Perigoso
O ataque de Islamabad marca a primeira vez que o Paquistão mira diretamente as forças do Talibã, em vez de supostos grupos militantes que operam a partir do Afeganistão. Kandahar, considerada o quartel-general do Talibã e residência do líder espiritual Haibatullah Akhundzada, foi um dos principais alvos. A divulgação de imagens dos bombardeios pelo governo paquistanês intensifica ainda mais a pressão internacional.
O mundo observa apreensivo, com especialistas alertando que o conflito entre duas potências nucleares, mesmo que assimétricas em capacidades militares, pode desestabilizar toda a região sul-asiática e abrir espaço para uma crise humanitária no Afeganistão.