Manaus — Um estudo alarmante sobre a mobilidade urbana da capital amazonense indica que o trânsito segue fazendo vítimas em ritmo inquietante. O levantamento referente aos primeiros 212 dias de 2026, conduzido pelo Mestre em Engenharia e representante do Observatório Nacional de Segurança Viária, Professor Mário Ricardo, revela que as zonas Leste e Norte de Manaus concentram 60% das mortes no trânsito registradas no período.
A pesquisa mostra que, de janeiro a julho de 2026, Manaus contabilizou 147 óbitos nas vias públicas. Desse total, 47 mortes (32%) ocorreram na zona Leste e 41 (28%) na zona Norte, evidenciando a vulnerabilidade desproporcional nessas áreas. Para o Professor Mário Ricardo, a elevada incidência de fatalidades demonstra que fatores estruturais e comportamentais nas regiões precisam ser urgentemente enfrentados pelo poder público.
Colapso na Saúde Pública e Imprudência ao Volante
O estudo não apenas expõe estatísticas preocupantes, mas também alerta para um colapso iminente na rede de saúde pública. Até o final de junho de 2026, a capital amazonense registrou mais de 17 mil atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito. O dado mais crítico revela que 75% dos leitos dos hospitais públicos estão ocupados por acidentados, restando apenas 25% para pacientes com outras doenças graves.
Entre as principais causas das tragédias, o levantamento destaca excesso de velocidade, falta de atenção, consumo de álcool e a prática de rachas. A categoria “Quedas de Moto” apresenta um aumento preocupante de 44,44% em relação a períodos anteriores. O crescimento geral de 2,08% nas mortes em comparação ao mesmo período de 2025 comprova que as medidas de prevenção atuais não estão surtindo efeito.
Comparativo: Manaus e Barcelona
Para ilustrar a gravidade do cenário local, o Professor Mário Ricardo traçou um comparativo com a cidade de Barcelona, na Espanha. Ambas as cidades possuem populações semelhantes, cerca de 2,2 milhões de habitantes. Contudo, enquanto Manaus perdeu 147 vidas até julho de 2026, Barcelona registrou apenas 34 fatalidades no mesmo período — um número quase cinco vezes menor.
A desproporção está na gestão: Barcelona investe em ações “pré-sinistro” (análise de pontos críticos e fiscalização inteligente antes do acidente), enquanto Manaus opera de forma reativa, agindo somente após as mortes ou internações de vítimas.
Caminhos para a Mudança na Mobilidade Urbana
Diante de um quadro considerado de “alerta máximo”, o Professor Mário Ricardo defende uma mudança drástica na abordagem da cidade. Entre as propostas apresentadas, destaca-se a criação de um Fórum de Debates sobre Mobilidade Urbana, Multimodalidade e Trânsito, visando à construção de um novo Plano Diretor mais humano e sustentável.
O especialista também defende a expansão do Projeto “Me Sinto Seguro”, que busca criar uma rede de proteção e definir responsabilidades coletivas, envolvendo desde a fiscalização eletrônica até a educação nas escolas, igrejas e empresas. “A mudança é possível, mas depende de todos nós assumirmos o compromisso com a vida”, conclui o autor no documento. O desafio atual é transformar Manaus de um modelo reativo para uma cultura de prevenção viária.
