Mundo – A guerra no Oriente Médio, iniciada no final de fevereiro de 2026, atingiu um novo e perigoso patamar de intensidade neste final de semana. Em uma ofensiva em múltiplas frentes, o Irã não apenas mirou alvos militares e de inteligência de alto valor em Israel, mas também intensificou o uso de munições de fragmentação — armamentos amplamente condenados devido ao seu potencial destrutivo indiscriminado.
O exército iraniano confirmou ataques diretos contra as bases aéreas israelenses de Palmachim e Ovda. Elevando o escopo da operação, as forças da República Islâmica declararam ter utilizado drones equipados com explosivos para atingir a sede do Shin Bet, o serviço de inteligência interna de Israel.
[p]https://cm7.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com/wp-content/uploads/2026/03/14143309/snapinsta.com_.br-69b5a9cff2b9f.mp4[/p]
A ofensiva, no entanto, não se limitou aos disparos vindos do território iraniano. Em uma ação coordenada com o grupo Hezbollah, cerca de 200 mísseis e foguetes foram lançados a partir do Líbano em direção ao norte e ao centro de Israel. Apesar do volume massivo de projéteis, não houve registro de vítimas fatais nesta onda específica de ataques, embora os danos materiais sejam evidentes — uma residência foi completamente destruída no vilarejo de Haniel, na região central do país.
Paralelamente aos ataques a alvos específicos, imagens verificadas e relatos de autoridades apontam que o Irã tem empregado mísseis equipados com ogivas de fragmentação contra áreas povoadas em Israel. De acordo com a unidade de desativação de bombas da polícia israelense, mais de 10 mísseis com essa tecnologia foram disparados contra o país desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.
As munições de fragmentação funcionam liberando dezenas de “submunições” (pequenas bombas) em pleno ar, espalhando explosivos por uma área ampla. Devido à sua natureza imprecisa e ao alto risco para civis, um acordo internacional assinado por mais de 100 países em 2008 baniu o uso desses armamentos. No entanto, potências como Estados Unidos, Rússia, China, além dos próprios Irã e Israel, nunca aderiram ao tratado.
Especialistas em direito internacional e armamento alertam que o uso dessas armas sobre centros urbanos pode configurar violação das leis de guerra.
Impacto das Munições de Fragmentação
Adil Haque, professor de direito internacional da Universidade Rutgers, destaca que as submunições “são lançadas de forma aleatória” e não podem ser direcionadas exclusivamente a alvos militares. Bonnie Docherty, da Human Rights Watch, alerta que essas munições não detonadas transformam-se em minas terrestres de fato, podendo explodir e vitimar civis anos após o fim do conflito.
Imagens flagraram a explosão de uma submunição iraniana em uma rua de Or Yehuda (4 de março) e rastros de mísseis de fragmentação nos céus de Tel Aviv (11 de março). Segundo o especialista em mísseis Tal Inbar, o uso dessas armas pelo Irã pode ser uma estratégia deliberada para sobrecarregar o avançado sistema de defesa aérea de Israel. Mesmo que um míssil interceptor atinja a ogiva principal, dezenas de submunições podem sobreviver à colisão inicial e continuar caindo, tornando a interceptação total praticamente impossível.
Custo Humano do Conflito
O balanço humano do conflito cresce rapidamente. Do lado israelense, autoridades confirmam que doze pessoas morreram nos ataques iranianos (sendo pelo menos 11 civis confirmados). Destes, duas mortes foram causadas diretamente por munições de fragmentação. Com o envolvimento dos Estados Unidos — que já afirmaram ter atacado cerca de 6 mil alvos desde o início da guerra —, o embaixador do Irã na ONU relatou que mais de 1.300 iranianos foram mortos em bombardeios americanos e israelenses, embora o balanço de Teerã não faça distinção entre baixas civis e combatentes.