Manaus – Enquanto os médicos da rede pública estadual do Amazonas seguem sustentando os atendimentos à população movidos por compromisso ético mesmo diante de graves dificuldades pessoais e profissionais, a gestão da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), sob o comando do secretário Luís Saraiva, é alvo de um duro alerta emitido conjuntamente pelas maiores autoridades de representação médica do estado.
Em uma manifestação pública emblemática divulgada nesta quinta-feira (30), o Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CREMAM) e o Sindicato dos Médicos do Amazonas (SIMEAM) vieram a público expor a deterioração do sistema de saúde: atrasos prolongados e generalizados no pagamento de salários, honorários, plantões e sobreavisos, somados a questionamentos sobre as condições de trabalho oferecidas na rede estadual.
Situação Crítica da Saúde Pública
O documento assinado pelo CREMAM e SIMEAM, que recebeu respaldo nacional do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Federação Médica Brasileira (FMB), deixa implícito o esgotamento do diálogo estéril e expõe uma falha contínua de planejamento na pasta comandada por Luís Saraiva. A nota é categórica ao alertar que a inadimplência prolongada não é apenas uma questão financeira de uma categoria profissional, mas um perigo direto à sociedade amazonense.
A falta de pagamentos “pode gerar instabilidade nas escalas, dificuldade de manutenção das equipes e prejuízos ao planejamento e à continuidade segura da assistência”. Ao permitir que o Estado chegue a este ponto crítico, a atual administração da SES-AM falha no básico: garantir que o profissional que salva vidas nos hospitais públicos receba sua remuneração de forma tempestiva e exerça sua função em condições adequadas de trabalho, com tecnologia e insumos contínuos.
Cobrança por Melhorias no Atendimento
Diante da inércia administrativa, as entidades médicas declararam que não atuarão mais apenas no campo da denúncia passiva. A gestão pública e as empresas terceirizadas contratadas pela pasta de Luís Saraiva agora estão sob a mira de procedimentos administrativos rigorosos. O CREMAM confirmou que passará a enquadrar pessoas jurídicas e tomadoras de serviço na Resolução CFM nº 2.462/2026, que estabelece processos de apuração formal para casos de inadimplemento remuneratório mediante comprovação de atraso e vínculo.
Por sua vez, o SIMEAM já articula medidas jurídicas cabíveis para coibir o que se transformou em uma precarização sistemática do trabalho médico no Amazonas. A gravidade do quadro na rede estadual de saúde levou o CREMAM e o SIMEAM a clamarem publicamente pela intervenção direta dos órgãos de controle e fiscalização.
A Intervenção Necessária nas Finanças da Saúde
Ministério Público do Estado (MPE), Tribunal de Contas (TCE), Defensoria Pública e Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) foram demandados a fiscalizar, auditar e esclarecer as causas das pendências relatadas, exigindo respostas concretas dos gestores públicos. A mensagem das entidades de classe é clara: a dignidade da saúde pública do Amazonas não pode continuar pagando a conta da desordem de gestão.
As dificuldades enfrentadas pelos médicos e, consequentemente, pela população refletem a urgência em restaurar um sistema que não apenas empregue profissionais de saúde, mas que respeite suas condições de trabalho e dignidade, essencial para o funcionamento eficiente dos serviços prestados. Somente assim será possível garantir que os amazonenses recebam os atendimentos que merecem, em um sistema de saúde integral e funcional.
