Manaus – O que começou como um flagrante milionário nas ruas de São Paulo acabou se convertendo no maior escândalo de omissão e contradição administrativa da gestão Wilson Lima em 2026. A prisão do Major da Polícia Militar do Amazonas, Douglas Araújo Moura, interceptado pela ROTA com R$ 1,15 milhão em espécie, expõe a fragilidade de uma estrutura governamental que não apenas protege oficiais sob suspeita, mas os recompensa.
A investigação deste caso revela que o oficial, já envolvido em um escândalo policial em 2022 com “piratas do rio”, foi condecorado pelo Governador do Amazonas menos de dois anos depois, recebendo a Medalha de Tempo de Serviço.
O Caso da Lavagem de Dinheiro
No dia 17 de março de 2026, o serviço reservado das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA) desmantelou um esquema de transporte de dinheiro suspeito no centro de São Paulo. A operação foi dividida em duas fases: a primeira, a apreensão de R$ 400 mil em uma mochila com Tiago Viana Melo; a segunda, a abordagem a um VW/Virtus na Avenida Angélica, onde encontraram Daltton de Lima Carvalho e o Major Douglas Araújo Moura com mais R$ 750 mil.
Sem comprovação da origem legal do montante, o grupo foi levado à Polícia Federal na Lapa. Juntamente com o dinheiro, foram apreendidos celulares, cadernetas com anotações bancárias e cheques em branco. Todos foram liberados após a abertura do Inquérito Policial Federal (IPF nº 2026.0029220) por suspeita de lavagem de capitais.
A Blindagem do Major Douglas Moura
O agravante para o Governo do Amazonas é que o Major Moura atuava como um “servidor fantasma”. Recebendo um contracheque bruto de R$ 35,8 mil pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), o oficial não possuía registros de diárias ou missões que justificassem sua presença em São Paulo, sendo que, legalmente, deveria estar em Manaus.
A leniência do Estado em relação ao Major não para por aí. Em julho de 2022, enquanto era Secretário Executivo Adjunto de Operações Integradas (SEAOP), ele autorizou uma missão que resultou na prisão de policiais militares acusados de agirem como “piratas do rio”. O desfecho foi brando: o Governador Wilson Lima apenas exonerou Moura do cargo, mas ele permaneceu na ativa.
Responsabilidade e Impunidade
A maior contradição ocorreu em 08 de abril de 2024, quando, através do Decreto Nº 49.266, o Governo Wilson Lima concedeu a “Medalha de Tempo de Serviço” a diversos policiais, incluindo o então Capitão Douglas Araújo Moura, que recebeu a honraria apesar do escândalo prévio.
Juristas apontam que manter um oficial com esse histórico na folha de pagamento, livre de responsabilidades, pode configurar prevaricação e crime de responsabilidade por parte do alto escalão do Estado. A ausência de respostas claras do Executivo Estadual deixa em aberto questões que clamam por esclarecimento: por que o Major não sofreu sanções mais severas após o escândalo em 2022? Quem autorizou sua ausência do trabalho?
O Major Douglas Moura conseguiu transitar entre a legalidade e a ilegalidade, cruzando o país com malas de dinheiro. A questão que paira é até quando o Governo Wilson Lima continuará a protegê-lo.
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