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EUA impõem nova tarifa de 12,5% a produtos brasileiros: o impacto

EUA impõem nova tarifa de 12,5% a produtos brasileiros: o impacto

Os Estados Unidos anunciaram uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, usando como justificativa a falta de mecanismos eficazes para combater a importação de mercadorias fabricadas com trabalho forçado. Esta tarifa, que entra em vigor hoje, se une a uma sobretaxa de 25% já existente, totalizando uma carga tributária de até 37,5% sobre parte das exportações brasileiras.

A decisão foi comunicada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) após uma investigação que envolveu a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo informações do governo estadunidense, o Brasil faz parte de um grupo de 54 países que não implementam medidas adequadas para fiscalizar a entrada de produtos relacionados ao trabalho forçado em seus mercados.

Motivos da Sobretaxa

A análise do USTR aponta que a incapacidade do Brasil em regular e fiscalizar a importação de produtos fabricados sob condições de trabalho forçado gera uma vantagem competitiva injusta, uma vez que esses bens entram no mercado com preços inferiores, prejudicando a competitividade dos produtos americanos.

Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, enfatizou que essa prática causa um desequilíbrio no mercado de trabalho, colocando os trabalhadores americanos em desvantagem. Ele afirmou que a inação de parceiros comerciais em relação ao trabalho forçado é intolerável e contradiz princípios fundamentais de concorrência justa.

Segmentos Atingidos

O relatório do USTR revela que o Brasil, entre 2021 e 2025, importou produtos associados ao trabalho forçado em diversas áreas, incluindo:

Esses produtos, segundo a avaliação, têm preços artificialmente reduzidos, o que impacta diretamente a competitividade das exportações brasileiras no mercado americano. O USTR reconhece a participação do Brasil em convenções internacionais contra o trabalho escravo, mas considera que os mecanismos existentes para barrar importações ilícitas são inadequados.

A Reação Brasileira

O governo brasileiro criticou veementemente a imposição da nova sobretaxa, classificando-a como arbitrária e injustificada. Em comunicado, destacou que desde 2019 tem trabalhado em ações para combater o trabalho forçado e apresentou medidas de fiscalização em vigor, além do reconhecimento internacional do seu comprometimento nesse aspecto.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já havia contestado a investigação, argumentando que eventuais sanções seriam desproporcionais. Ele reforçou que o Brasil possui mecanismos robustos de monitoramento e colaboração interna e externa. O governo brasileiro estuda recorrer aos mecanismos da Lei de Reciprocidade e também à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a nova medida.

A reação não é apenas burocrática; enquanto deliberam sobre uma resposta diplomática, as autoridades brasileiras estão implementando medidas de apoio às empresas afetadas, por meio do “Plano Brasil Soberano”, que oferece linhas de crédito e incentivos para a exploração de novos mercados.

Esta situação ressalta um momento crítico nas relações comerciais e diplomáticas entre o Brasil e os Estados Unidos, destacando a crescente tensão em torno de questões de direitos humanos e práticas comerciais justas.

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