No primeiro trimestre de 2026, as interações comerciais entre Brasil e China apresentaram um crescimento significativo, consolidando o Brasil como um fornecedor estratégico para a energia chinesa. Impulsionadas por tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente no Estreito de Ormuz, as exportações brasileiras de petróleo para a China dobraram em relação ao mesmo período de 2025.
Segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o total de exportações atingiu US$ 23,9 bilhões, refletindo um aumento de 21,7%. Enquanto isso, as importações também mostraram resultados expressivos, totalizando US$ 17,9 bilhões. Um dos destaques foi a espetacular alta de 750% nas compras de carros elétricos e híbridos pela iniciativa brasileira.
O Brasil como Fornecedor Estratégico
O crescimento nas vendas de petróleo não é um acaso. De acordo com Túlio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC, a instabilidade geopolítica levou a China a procurar parcerias mais seguras. O Brasil, com sua oferta robusta e diplomacia estável, atende a essa demanda.
A parceria é profunda e de longo prazo, com empresas como CNPC e CNOOC já atuando no pré-sal brasileiro. Recentemente, a exploração se expandiu para a Margem Equatorial, apontada como uma nova fronteira petrolífera, atraindo investimentos bilionários, apesar dos desafios ambientais.
Commodities na Balancete Comercial
Embora o petróleo tenha dominado, as commodities tradicionais como a soja e o minério de ferro ainda jogam um papel importante nas exportações. Ambos os produtos registraram uma redução no volume de embarques, mas um aumento nos preços internacionais resultou em leve crescimento na receita total.
O Crescimento dos Carros Eletrificados
Enquanto o Brasil intensifica suas exportações energéticas, também está se transformando em um mercado atrativo para veículos eletrificados. Com US$ 1,23 bilhão em aquisições nos três primeiros meses de 2026, as importações de carros elétricos aumentaram em 7,5 vezes em comparação a 2025. A China tornou-se líder na fabricação destes veículos, enquanto no Brasil, a adoção por parte dos consumidores cresce cada vez mais.
O Programa Mover, do Governo Federal, ajudou a impulsionar esse crescimento, permitindo que as empresas antecipassem seus estoques antes do aumento das alíquotas de Imposto de Importação. Essa movimentação cria uma dinâmica entre montadoras tradicionais e novas fabricantes chinesas no Brasil, que já anunciaram planos para instalação de fábricas locais, visando competitividade no futuro.
O balanço comercial do início de 2026 reflete a crescente interdependência entre Brasil e China, com o país sul-americano se firmando como um fornecedor essencial para a segurança energética chinesa, enquanto o Brasil se torna um polo estratégico para a evolução automotiva na América Latina.
